segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O primeiro artilheiro - parte 1

PITOTA
Alcindo Wanderley
Posição: Atacante

Clubes: Tamoio Futebol Clube (1912), 15 de Novembro e Santa Cruz (1914-1921).

Títulos: Alguns títulos amistosos, como a Taça Escola de Odontologia (1916), a Taça Almirante Barroso (1917), oferecido pelo clube de mesmo nome, ou o torneio promovido pelos cronistas esportivos, em 1921. Houve também a conquista do Torneio Início de 1919.

Marcas: Artilheiro do Campeonato Pernambucano (1917 - não se sabe a quantidade de gols).

Características: baixinho e ligeiro, era considerado um jogador determinado porque não faltava aos jogos. Participava até quando estava doente.

Estréia pelo Santa: 25/06/1914 - Santa Cruz 1x0 Coligação Esportiva

Curiosidades: #As irmãs de Pitota comandavam a torcida feminina do Santa Cruz. Maria, Aurélia, Olegária e Theodina levavam graça e animação aos estádios, chegando, casualmente, a discutir com torcedores adversários.

# Por conta da vitória diante o Botafogo, o cinema Polytheama programou para o mês de fevereiro de 1919 uma homenagem ao Santa Cruz. Foi exibido na tela os retratos de todos jogadores, além do filme "Cena de Beijos" ter sido o escolhido para homenagear os santacruzenses.

Obs.: Não se sabe a data de nascimento de Alcindo Wanderley, o Pitota, mas possivelmente ele nasceu em Olinda.

O primeiro artilheiro - parte 2

Primeiro ídolo e artilheiro do futebol pernambucano, Pitota teve de enfrentar a resistência do pai para chegar a tal condinção. Conhecido pelo nome - Alcindo Wanderley -, o jogador tricolor ganhou o apelido - Pitota - justamente para que seu pai não tomasse conhecimento das aventuras futebolísticas do garoto. O pai, advogado famoso do Recife, anos depois confessou que ouvira falar de um tal Pitota, sem saber que era o filho proibido de jogar bola.

Após passar por alguns clubes de Olinda, o artilheiro, em 1914, foi estudar no Colégio Salesiano, onde conheceu os fundadores do Santa Cruz. A partir daí, jogando pelo tricolor, se consolidaria como artilheiro de Pernambuco, mais precisamente no ano de 1917 (possivelmente também em outros anos, mas a falta de registros impede a afirmação). Nome comum nas relações da seleção da Liga Sportiva Pernambucana e combinados que participavam de amistosos. Com pouco tempo de Santa Cruz, passou a integrar a diretoria.

Em janeiro, de 1915, a Assembléia Geral elegeu a segunda diretoria do Santa Cruz, que comandaria o clube no biênio 15/16. Pitota foi eleito vice-diretor de esportes. Na eleição seguinte, tomou posse da direção de esportes. Bom na oratória, também se elegeu orador do clube, porque, naquele tempo, os jogos não começavam sem uma troca de gentilezas. E ainda foi o primeiro sócio benemérito do Santa.

Pitota só não chegou a conquistar o título do recém-criado campeonato pernambucano, colecionando alguns vices, principalmente para o Sport, pois esse sempre reforçava o time na reta final com jogadores do sul do Brasil, atitude condenada na época. Mas ele participou de momentos marcantes da hitória do Santa Cruz Futebol Clube, dos quais qualquer torcedor já ouviu falar.

Um deles foi a inacreditável virada, num jogo em que perdia por 5x1 do América, pelo pernambucano de 1917. Faltando 20 minutos para o fim da partida, muitos tricolores haviam deixado o estádio dos Aflitos, eis que o capitão Tiano resolve deslocar Pitota. Ele vai jogar na ponta-direita, no intuito de fugir da implacável marcação dos adversários. Surgi um pênalti para o Santa Cruz, e os torcedores mais resistentes devem ter ido embora, pois Pitota desperdiça a chance de diminuir restando 15 minutos. Mas, a partir daí, incrivelmente, os gols foram saindo a favor do tricolor, especialmente dos cruzamentos de Pitota da ponta-direita, evidenciando a importância da mudança tática realizada durante o jogo. O artilheiro ainda guardou o seu na espetacular vitória por 7x5(!).

http://rubbens68.blogspot.com/2007_06_03_archive.html

Outro triunfo inesquecível, do qual Pitota marcou presença, foi o de 1919, frente ao Botafogo do Rio. Este, até ofuscou a passagem de Santos Dumont pelo Recife, tamanha era a festa pela vitória, a primeira de um clube do Norte-Nordeste diante de um do Sul-Sudeste do Brasil. O lateral-esquerdo do Santa na partida, Manoel Pedro (o professor), certa vez disse que "o gol de desempate e, conseqüentemente o do triunfo, aconteceu já no finalzinho, numa jogada individual de Pitota". O Santa Cruz também ficou marcado por ter sido o primeiro clube de Pernambuco a excursionar para outro Estado. Em 1916, uma viagem a Natal era uma verdadeira epopéia, mas lá se foi o Santa enfrentar o ABC. O jogo foi acertado por João Café Filho, que mais tarde viria a ser Presidente da República, após a morte de Getúlio Vargas. Nascido em Natal, Café Filho estudava no Recife, fez amizade com o pessoal do Santa e programou o que era considerado um acontecimento. Pitota estava entre os jogadores que venceram o ABC por 4x1, mas não há registros dos autores dos gols.


Ao fim da curta carreira, Pitota se mudou para Niterói, no Rio de Janeiro, e possivelmente faleceu por lá. Um menino que, para fazer o que gostava, enfrentou a resistência em casa, tornou-se nome conhecido no Recife e em Olinda, integrou vários selecionados pernambucanos e, já na década de 1970, foi laureado com uma medalha de ouro pela diretoria do Santa da época. É reconhecidamente o primeiro artiheiro do Mais Querido e de Pernambuco.




"Pitota deixou tonta a defesa do América e passou a centrar bolas para a área.....driblou quase todo o time do América antes de marcar."

Tiano, capitão do Santa Cruz na vitória por 7x5 contra o América, em depoimento a Placar, de 1979.





Fontes: Conheça o Santa Cruz - 55 anos de glória, Revista Placar, História do Futebol em Pernambuco (Givanildo Alves) e blog Santa Cruz Desde 1914 (http://rubbens68.blogspot.com/).

domingo, 14 de outubro de 2007

Agora tentam nos calar

O ex-presidente de maior rejeição junto a torcida tricolor tenta banir um espaço na internet que conquistou e uniu os apaixonados pelo Santa Cruz.

O ex-presidente em questão é o ex-vereador José Neves, atual presidente da FBA e aliado de Romero Jatobá, outro rejetadíssimo pelos tricolores, e o espaço na internet é o influente e participativo Blog do Santinha. O argumento do "eterno" cartola é de que o intuito do Blog seria “denegrir a imagem e a moral do autor".

O Blog Os Grandes Ídolos do Santa Cruz se engaja na luta pela defesa do blog que materializou a emoção vivida nas arquibancadas do Arruda em textos.

Para saber mais acesse:
http://www.blogdosantinha.com/artigos/ex-presidente-do-santa-cruz-vai-a-justica-tentar-calar-o-blog-do-santinha/
http://www.blogdosantinha.com/eu-defendo-o-blog-do-santinha/

O cabelo de fogo - parte 1

NUNES

João Batista Nunes de Oliveira

20/05/1954, Feira de Santana (BA)

Posição: Centroavante

Clubes: Confiança (1974-75), Santa Cruz (1975-78), Fluminense (1978-79), Monterrey-MEX (1979-80), Flamengo (1980-83 e 87), Botafogo (1983-84), Náutico (1985), Boa Vista-POR (1985), Santos (1985), Atlético-MG (1986) e Volta Redonda (1987)

Títulos: Campeão Pernambucano (1976 e 85), Campeão Brasileiro (1980, 82 e 83), Campeão da Taça Libertadores da América e do Mundial Interclubes (1981), Campeão Carioca (1981), Campeão do Troféu Ramon de Carranza (1980) e Campeão Mineiro (1986)

Marcas: Artilheiro do Campenato Sergipano (1974 - 17 gols), do Pernambucano (1977 - 23 gols), do Brasileiro (1981 - 16 gols) e do Campeonato Mineiro (1986 - 26 gols). Pela Seleção Brasileira foram 13 jogos e 8 gols. Desses, 11 jogos e 7 gols como jogador do Mais Querido. Defendendo o Santa, foram mais de 84 gols, sendo 43 pelo Brasileiro em 72 jogos, de 75 a 78. Com isso, ele é o maior artilheiro do Santa Cruz em Brasileiros.

Características: Chutava forte com as duas pernas, sempre bem posicionado, raçudo, oportunista, trombador, movimentação constante, ágil, tinha boa condição física, ótimo no jogo aéreo, insistente e, acima de tudo, impetuoso. Conhecido também como o artilheiro invisível, porque surgia de repente, sem ser percebido, cara-a-cara com o goleiro.


Estréia pelo Santa: 31/07/75 - Sport 1x1 Santa Cruz
Ficha do Jogo
Competição: Campeonato Pernambucano (3° Turno).
Local: Ilha do Retiro; Juiz: Roberto Caúla.
Público: 30.097; Renda: Cr$ 412.705,00.
Gols: Ramon, Assis.
Sport: Toinho, Marcos, Pedro Basílio; Alberto e Cláudio Mineiro; Luciano, Assis Paraíba e Garcia; Miltão, Dario e Peri. Técnico: Duque.
Santa Cruz: Jair, Renato, Lima, Queiroz e Pedrinho; Carlos Alberto, Givanildo e Mazinho; Fumanchu (Nunes), Ramon e Santos (Pio). Técnico: Carlos Frôner.


Curiosidades: #Em julho de 78, Nunes foi indicado, numa pesquisa realizada pela Rede Globo e divulgada no programa Fantástico, como titular absoluto da camisa 9 do Brasil na preferência do povo.

#Atuando pelo Flamengo, na decisão do Campeonato Brasileiro de 80, contra o Atlético-MG, Nunes, no final da partida, driblou o zagueiro Silvestre e chutou, quase sem ângulo, fazendo 3 a 2 para o clube carioca. O ex-jogador criou uma história para o lance: -Eu disse para o Silvestre: olha lá o Cristo, e ele se distraiu. Por isso, eu passei por ele e fiz o gol -, brinca.


Hoje: Trabalha nas divisões de base do Flamengo.
Obs.: há registros de que Nunes tenha nascido no Sergipe, na cidade de Simão Dias, antiga Anápolis. Além disso, em vez de ter atuado no juvenil do Fluminense, de Feira de Santana, ele teria começado no Flamengo, do Sergipe.

O cabelo de fogo - parte 2

1978 - Joel Mendes, Carlos Barbosa, Givanildo, Paranhos, Pedrinho, Alfredo Santos, Fumanchu, Betinho, Nunes, Wilson Carrasco e Joãozinho.


NUNES NO SANTA

Nascido em Feira de Santana (BA), Nunes, o Cabelo de Fogo, começou a fazer gols no Fluminense baiano. Aos 14 anos, se mudou para o Rio de Janeiro e ingressou no juvenil do Flamengo, mas, ao estourar a idade de juniores, foi descartado pelos diregentes rubro-negros. No Confiança de Aracaju, o atacante se profissionalizou e o Santa, atento, logo contratou o jogador que viria a ser um dos grandes goleadores do Tricolor e o de maior projeção na história do clube em termos de Seleção Brasileira.

A estréia aconteceu num clássico das multidões, no finalzinho do Pernambucano-75, em jogo válido pelo 3° Turno. No memorável Brasileiro-75, no qual o Santa foi semifinalista, a melhor campanha de um time pernambucano na competição e a primeira vez que um nordestino chegava a tal fase, Nunes, ainda um jovem de 21 anos, teve participação discreta na campanha, marcando dois gols. A concorrência com Ramon, artilheiro do Brasileiro-73, era desleal. Ao lado de Fumanchu, Ramon foi o goleador do Santa com oito gols. O primeiro e único título do Cabelo Fogo pelo Santa seria o bissuper, em 76.

Naquele ano, as três torcidas estavam empolgadas, porque, além do Santa(4° colocado), Sport(11°) e Náutico(13°) tiveram boa participação no campeonato nacional de 75. O rubro-negro, de Dario, artilheiro do certame com 30 gols, levou o primeiro turno; o Santa, sem Ramon e Fumanchu negociados, faturou o segundo e o Náutico surpreendentemente ganhou o último turno. Antes de chegar no supercampeonato, porém, grandes goleadas, como a de 11x0 frente ao Íbis, com 7 gols de Volnei, e especialmente os 5x0 no Sport, onde Nunes marcou aos 45 segundos, justificando o apelido de "atacante invisível", marcaram a campanha do Santa. Na decisão entre os três grandes, Santa e Náutico venceram o Sport, por "apenas" 2x0 e 1x0 respectivamente. No jogo mais aguardado do campeonato, o Tricolor fez de novo 2x0 num Arruda abarrotado. Cerca de 62.711 pessoas compareceram ao Colosso, isso porque na época só existia o anel inferior e a polícia proibiu a entrada de mais torcedores. Nunes marcou o gol que abriu caminho para a vitória e nas palavras de Waldemar Carabina, técnico do Náutico, "foi um gol incrível, não havia condições dele fazer". Mesmo isolado, lutando contra dois zagueiros (Sidclei e Geraílton) num momento de pressão do timbu, ele deixou sua marca, embora nem fosse necessário, pois o Santa jogava pelo empate. Jadir, prata-da-casa, fechou o caixão. Um fato curioso é que essa conquista foi a primeira de Ênio Andrade como técnico de futebol. Nunes, por sua vez, não poupou nas promessas: viajou até Salvador para pagar promessa ao Senhor do Bonfim e depois partiu rumo a Aracaju a fim de "quitar a dívida" com Santo Antônio, enqüanto os outros jogadores mantiveram a tradição de ir ao morro da Conceição, no Recife mesmo. Ao fim do campeonato, Nunes, mesmo ausente de alguns jogos devido a uma contusão, contabilizou 14 gols em 28 jogos.


Após o Bissuper, grandes campanhas do Santa em Brasileiros marcaram a passagem de Nunes. Em todas elas, chegando muito próximo de alcançar a fase semifinal. A perfomance mais fraca (11°) do tricolor enqüanto Nunes esteve no Arruda aconteceu justamente quando todos estavam eufóricos com a conquista de mais um título estadual. No Brasileiro-76, tudo transcorria bem, o Mais Querido caminhava a passos largos em direção às semifinais, mas na última fase de grupos, o Santa não ficou entre os dois melhores que se classificavam para tal fase. No decorrer do campeonato, a ausência de Givanildo -vendido ao Corinthians -era sentida, e uma goleada sofrida contra o Inter, que viria a ser bicampeão, abalou o grupo. Nunes marcou 9 gols, mas também abriu espaço para Betinho fazer os mesmos 9 gols e ser artiheiro da equipe. Para o Brasileiro-77, o Cabelo de Fogo foi relacionado pela CBD entre aqueles que não poderiam ser vendidos para o Exterior.

Em mais um Brasileirão, a torcida confiava novamente em uma grande campanha, apesar do fracasso do time(3°) no Pernambucano-77, que teve Nunes como artilheiro, bem a frente dos demais. Na primeira fase do certame nacional, um grupo de 10 times, em que cinco passavam, com o Santa terminando em terceiro, atrás de Palmeiras e São Paulo. Destaque para as goleadas frente a Treze (6x0) e CRB (5x1), onde Nunes anotou cinco gols somando os dois jogos. Na fase seguinte, nova classificação, dessa vez em segundo lugar numa chave com cinco clubes. Chega então a última etapa de grupos, de onde só o campeão continuaria, com destino às semifinais. Além do Santa Cruz, Palmeiras, América-RJ, Desportiva-ES, Remo e Operário-MS compunham o grupo, no qual o alviverde paulista era considerado franco favorito. Eis que então, na penúltima rodada, o Palmeiras, atual líder, recebe o Santa no Pacaembu com mais de 62 mil pessoas, e vê sua chance de passar à semifinal praticamente acabar. Com um jogador a menos desde o primeiro tempo, Nunes foi expulso, mas antes já tinha marcado seu golzinho, o Santa não tomou conhecimento do Palmeiras de Jorge Mendonça e fez 3x1 com mais dois de Fumanchu, que voltara ao Santa junto com Givanildo. Enqüanto isso, no Rio, o Operário vencia o América-RJ e se transformava no principal concorrente à vaga. Na última rodada, os dois jogavam em casa, Santa x Remo e Operário x Palmeiras, o Mais Querido tinha vantagem, 8 pontos contra 7, mas, naquela época, vitória com diferença igual ou maior de dois gols valia três pontos. Jogando sem Nunes, suspenso, o Santa vencia por 2x0, resultado que lhe garantia a classificação, enqüanto que o Operário também ganhava pelo mesmo placar. No entanto, relembrando 75, quando o Santa sofreu um gol no "apagar das luzes" e viu a final do campeonato escapar entre os dedos, um gol de Mesquita, a favor do Remo, aos 43 minutos do 2° tempo, fez com que os dois terminassem empatados em pontos, com o Operário levando vantagem no saldo, dois a mais. Um fato triste, mas que não apaga mais uma campanha memorável, projetando Nunes de vez no cenário nacional. Na Bola de Prata da Placar, Lula (quarto-zagueiro), Givanildo (médio-volante) e Fumanchu (ponta-direita) ficaram em segundo, sexto e quarto, nas suas respectivas posições, além de Nunes ter sido o terceiro como centroavante.


Por fim, o Brasileiro-78, disputado no primeiro semestre, onde o Santa estabeleceu uma marca imbatível até hoje. Foram 27 jogos seguidos sem perder. A primeira derrota só veio acontecer nas quartas-de-final, para o Inter de Porto Alegre, eliminando o clube pernambucano, que ficou na quinta posição. Nunes esteve em campo em apenas 12 oportunidades, por causa da Seleção, deixando sua marca 11 vezes. Média de quase um gol por partida. Ao lado dele, Fumanchu e Joãozinho, advindo do mesmo Confiança do Cabelo de Fogo, formaram uma das melhores linha de frente de toda história do clube das multidões.
Com o fim do Brasileiro, no dia 30/08, Nunes, que foi comprado por 320 mil cruzeiros após os tricolores vencerem a concorrência de Vasco e Náutico, foi vendido junto com Luiz Fumanchu ao Fluminense por 11 milhões de cruzeiros. Assim, acabava a relação do Santa Cruz e um dos artilheiros que mais deixou saudades na torcida e que mais tarde brilharia no clube mais popular do país.

sábado, 13 de outubro de 2007

O cabelo de fogo - parte 3


NUNES NA SELEÇÃO
A menos de três meses para o ínicio da Copa-78, na Argentina, Cláudio Coutinho, técnico do escrete canarinho, divulgou a lista dos convocados para os amistosos preparativos do Mundial. Entre os 21 nomes estava Nunes. O anúncio, feito na sede da CBD (hoje CBF), às 13 horas, no ínicio de março, gerou comoção nacional e o atacante tricolor foi considerado uma surpresa. A imprensa carioca pedia Roberto (Dinamite), apesar da má fase e de ter marcado apenas 7 gols no Brasileiro. Serginho (Chulapa) era a aposta dos jornalistas paulistas, mas o atacante dependia de um julgamento decorrente da indisciplina do jogador que, ao contrário do atacante do Vasco, passava por bom momento e viria a ser campeão Brasileiro pelo São Paulo. A unanimidade era Reinaldo do Atlético-MG.


Lista anunciada, a torcida e a mídia esportiva aguardavam pelos amistosos contra combinados, clubes e seleções européias. Reinaldo era o centroavante titular, enqüanto Nunes ia entrando no decorrer dos jogos e deixando os seus golzinhos. Até que, mais uma vez substituindo Reinaldo, Nunes marcou o único tento da vitória brasileira frente a Alemanha Ocidental, atual campeã do mundo, em Hamburgo. A partir daí, o Cabelo de Fogo assumiu a posição de Reinaldo que já vinha sendo perseguido pelas constantes contusões. Nunes também deixou sua marca em amistosos contra a Internazionale, de Milão, e o Atlético, de Madri. No dia 13/05/78, a 21 dias da estréia na Copa do Mundo,num amistoso da Seleção Brasileira contra a Seleção Pernambucana, Nunes atuaria pela última vez pelo Brasil (e como jogador do Santa) antes de ser cortado.


A justificativa era médica, porém os tricolores não engolem essa história até hoje. O médico Lídio toledo (o mesmo do caso Ronaldo na Copa-98) é o acusado pela torcida. Comenta-se que ele teria apertado o gesso no tornozelo de Nunes mais do que devia. O fato é que Roberto substituiu o Cabelo de Fogo, atendendo aos apelos da imprensa carioca, já revoltada com a não convocação de Paulo César (Caju) do Botafogo. Os números, no entanto, credenciavam o atacante tricolor, que marcou no Brasileiro de 77 (com fim em março de 78) o dobro de gols do atacante vascaíno, 14x7, fechando na terceira colocação da tábua de artilheiros, atrás apenas de Reinaldo e Serginho. Na Bola de Prata da Placar, o centroavante Nunes também ficou em terceiro, novamente perdendo somente para Reinaldo e Serginho, enqüanto que Roberto foi o décimo primeiro melhor centroavante do campeonato. No fim das contas, Reinaldo não agüentou a dor nos meniscos e Roberto não o substituiu à altura. Nunes, dito pela Revista Placar "nosso melhor centroavante, sem discussão", voltava a jogar pelo Santa no dia 10/06, contra o Fluminense, já pelo Brasileiro de 78, apenas dois depois do segundo do jogo do Brasil na Copa, um empate por 0x0 diante da Espanha. Além disso, depois da eliminação brasileira da Copa que culminou no primeiro título mundial da Seleção argentinha, Cláudio Coutinho disse que o Brasil foi o campeão moral, por sair invicto, e muitos tricolores se viraram contra a Seleção. Esse é só mais um episódio mal explicado envolvendo a seleção da CBF.




"Nunes é para o Santa o que Pelé foi para o Santos."


Rodolfo Aguiar, presidente do Santa Cruz no biênio 79/80.





segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O príncipe - parte 1

ALDEMAR

Aldemar dos Santos

07/11/31, Rio de Janeiro (RJ)

Posição: centro-médio (zagueiro)

Clubes: Vasco (1951-54), Santa Cruz (1954-58), Palmeiras (1959-64), América-MG (1964-?) e Guarani (1966).

Títulos: Torneio Pernambuco-Bahia - 1956, Supercampeão Pernambucano - 1957, Supercampeão Paulista - 1959, Taça Brasil - 1960, Campeão Paulista - 1963, Campeão da Taça do Atlântico e da Copa Rocca - 1960 (esses pela Seleção Brasileira).

Marcas: #Foi considerado, não apenas pela imprensa, mas pelo próprio rei do futebol, como um dos melhores marcadores de Pelé. Na decisão do supercampeonato paulista de 59, Palmeiras e Santos fizeram a final e Aldemar tinha a ingrata missão de marcar o camisa 10 santista. Os elogios de Pelé a Aldemar após o título palmeirense e à atuação destacada do zagueiro foram inevitáveis.

#Aldemar atuou quatro vezes pela Seleção Brasileira, tendo três vitórias e uma derrota. Sua estréia no Brasil aconteceu em 29 de maio de 1960, na vitória por 4x1 diante da Argentina, pela Copa Rocca. E a última partida vestindo a "amarelinha" foi no dia 29 de junho do ano seguinte, num amistoso, no Maracanã, Brasil 3x2 Paraguai. Pela Seleção Pernambucana disputou o campeonato brasileiro de 1956 (quase todo jogado em 57), quando Pernambuco terminou na quarta colocação. Dos onze jogos do time pernambucano Aldemar esteve presente em seis.


Características: Era conhecido por seu futebol elegante, as passadas longas e a inteligência. Além de um ótimo e hábil marcador, tinha bom porte físico e um grande espírito de liderança. Jogador de categoria refinada.


Estréia pelo Santa: 11/06/1954 -Santa Cruz 2 x 1 Botafogo-PB. Com a colaboração do pesquisador Carlos Celso Cordeiro segue a ficha do jogo abaixo:
Data: 11/06/1954
Competição: Amistoso Interestadual. Renda: Cr$ 52.235,00.
Local: Ilha do Retiro; Juiz: Anísio Morgado.
Gols: Tonho (41/1) // Tonho (20/2), Chaves (/2).
Santa Cruz: Neves; Santana e Lucas; Aldemar, Calico e Ananias (Edinho); Jorge de Castro, Tonho, Jaime (Expedito), Mituca (Geraldo) e Tampinha (Milton Lopes). Técnico: Oto Vieira.
Botafogo-PB: Zearmando; Nelson e Kleber; Vavá, Berto e Tita; Nelsinho, Chaves, Pedro Negrinho (Delgado), Dega (Milton) e Elcio.

Curiosidades: #Em 1966, foi contratado pelo Santa para ser técnico. No Recife, nem chegou a se apresentar ao clube porque já sofria de "Amnésia". Desapareceu, até que um ex-jogador amigo o encontrou na rua e o levou para casa. Logo em seguida, ligou para seus irmãos, no Rio de Janeiro, e eles foram buscá-lo em Pernambuco.

# Aldemar não era elegante apenas no campo. Ele chegou a figurar numa lista dos "10+" elaborada pela crônica social do Recife.

Hoje: Faleceu atropelado no Recife em 21/01/77. Depois que foi cortado da Seleção, em 1962, se entregou à bebida e nunca mais foi o mesmo. Em depressão, sofrendo de amnésia e, agora, refém da bebida, sua carreira entrou em decadência e a morte viria anos mais tarde.